Vítimas do Césio-137 foram enterradas sob protesto de moradores e com cruzes sendo arremessadas; vídeo
27/03/2026
(Foto: Reprodução) Vítimas do Césio-137 foram enterradas sob protesto de moradores
O enterro das vítimas do acidente com o Césio-137, em Goiânia, foi marcado por medo, desinformação e revolta. Imagens da época mostram que moradores chegaram a protestar contra os sepultamentos e arremessaram pedras e cruzes na área do cemitério, temendo contaminação. De acordo com dados oficiais do governo, quatro pessoas morreram diretamente devido ao acidente.
Reportagens da TV Anhanguera da época mostram o momento em que os caixões chegam ao local sob tensão. A ambulância que transportava os corpos foi alvo de ataques até conseguir acessar a área dos túmulos.
Segundo relatos da época, a população acreditava que os corpos ainda representavam risco de radiação, o que gerou reações violentas. “Todos falavam: ‘tira daqui, isso é lixo radioativo’”, relatou a jornalista Mirian Tomé, que acompanhou o caso.
Cena de violência no cemitério
O enterro de vítimas como Leide das Neves, de 6 anos, e Maria Gabriela, foi um dos momentos mais marcantes do acidente. O medo fez com que moradores tentassem impedir o sepultamento.
“A ambulância que trazia os caixões foi alvejada por pedras até atingir a área dos túmulos”, narra a reportagem da época .
Além das pedradas, houve tentativa de impedir a entrada no cemitério, com pessoas gritando contra o enterro das vítimas.
Parente se despede durante enterro de vítima do Césio-137
Reprodução/TV Anhanguera
Medo e desinformação
O acidente aconteceu em setembro de 1987, quando uma cápsula com material radioativo foi retirada de uma clínica abandonada e aberta em um ferro-velho no Setor Aeroporto. Sem saber do risco, moradores tiveram contato direto com o pó brilhante de césio-137.
A falta de informação sobre os efeitos da radiação contribuiu para o pânico coletivo. Na época, nem mesmo equipes envolvidas na resposta sabiam exatamente como agir.
“Não estávamos preparados. Não tinha proteção nenhuma”, relatou o tenente-coronel da PM Luiz Gonzaga Barros Carneiro, que participou das ações.
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Considerado o maior acidente radiológico fora de usinas nucleares no mundo, o caso deixou mortos, milhares de pessoas afetadas e mais de 6 mil toneladas de lixo radioativo. Décadas depois, as imagens do enterro sob protesto ainda simbolizam o impacto do medo e da falta de informação em meio à maior tragédia radiológica já registrada no país.
Profissionais que atuaram na época do acidente com o césio-137 relembram histórias
Sepultamento de vítimas do Césio-137 foi marcado por tensão e protestos de moradores, que temiam contaminação
Reprodução/TV Anhanguera
Moradores se aglomeram durante enterro de vítimas do Césio-137, em meio a protestos, em Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
Policiais contêm moradores durante enterro de vítima do Césio-137, marcado por tensão e medo de contaminação, em Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
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